6 Historização
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É a partir desta antiga consolidação de vários conceitos da filosofia grega clássica que informação passa a ter uma “vida” própria no pensamento ocidental, dentro dos períodos esquemáticos resumidos a seguir e num breve lampejo:
Ignismo dos períodos clássicos, quando a “chama” da informação acende.
Iluminismo, com a ascensão da tocha do empirismo e dos dados estatísticos das burocracias estatais.
Hiperluminismo, ou Explodismo, com o incêndio pela ascendência das tecnologias informacionais.
6.1 Ignismo
Neologizemos a palavra ignismo a partir de ignis, ou fogo em latim. Palavra cuja acepção remontará a velhos mitos e lendas sobre luz e informação: fiat lux, que a luz seja feita, implicaria que a própria luminosidade teria um aspecto de forma.
Similarmente, o conceito de informação a partir das formas figurativamente viria do calor dos fogos dos fornos.
Já cobrimos boa parte deste período na discussão precedente:
Desde a antiguidade (ou pré-antiguidade?), há o aparecimento das palavras e significações que alimentarão o guarda-chuva da “forma”, possivelmente ligadas às própria genealogia dos processos de abstração.
No período grego clássico, são engendradas diversas teorias que, na perspectiva de nossos dias, poderíamos até chamá-las de doutrinas, em especial:
A Teoria/Ideologia Platônica das Ideias.
A Teoria aristotélica da explicação, das causas, das formas e das cadeias formativas (transformações), sobre transformações de forma de uma substância inalterável69.
Já no período latino, ocorre a fusão de um complexo de conceitos num único, como que numa alquimia semântica70:
Los análisis […] sobre la proveniencia latina del concepto de información han mostrado que el uso de este concepto en el campo artificial, organológico, ontológico, epistemológico y pedagógico se puede comprender etimológica- e históricamente desde el origen griego, es decir desde los conceptos τύπος (typos), μορφή (morfé), εἶδος / ἰδέα (eidos / idea) interpretados por Platón y Aristóteles […]
Como resultado más importante sobre la evolución del concepto de información desde los inicios hasta el fin de la Edad Media hay que retener la influencia de la pregunta platónica sobre la ideas hasta alrededor del siglo XII mientras que a partir de entonces la concepción aristotélica del concepto de eidos condiciona fundamentalmente los significados ontológicos, epistemológicos y pedagógicos del concepto de información. Además, hay que destacar que en el uso y la interpretación del concepto de información por autores cristianos se manifiesta una síntesis de la filosofía griega con la fe cristiana.
E foi assim possivelmente que ocorreu a ignição do conceito de informação.
Importante ressaltar a relação entre “informação” e “inteligência”, ao menos como parece ter se consolidado ao fim deste período: inteligência parece significar a apreensão correta das formas transcendentais. Neste mesmo arcabouço metafísico, poderia-se pensar nas “formas” elas próprias sendo “formadas” e tendo em si parte de uma inteligência externa, num outro nível, talvez demiúrgico – um demiurgo enquanto artesão/tecnologista de formas. O processo informacional imbuiria a matéria de inteligência71.
6.2 Iluminismo
Há uma série de mudanças que vão desaguar no período conhecido como “Iluminismo”. Aqui faremos um uso desse termo de uma maneira diferente: iluminismo, na perspectiva deste arremedo de história da informação, seria uma “iluminação” figurativamente produzida não por pelo dito “esclarecimento” de uma tal de “razão” e do chamado “conhecimento”, mas pelo grande aumento da quantidade de comunicação produzida e circulada. “Informação”, metaforicamente surgida da forja das formas e fôrmas, começa a ter um brilho incandescente e, como uma tocha ardendo na mente das pessoas, vai se espalhando de mente em mente.
A chegada da imprensa de tipos móveis possibilita a cópia acelerada de livros, aumentando não somente a difusão de textos clássicos como novos na filosofia e nas ciências. Incrementos na malha de transporte viabilizam não apenas a expansão de mercados e de colônias, como também a circulação desses livros e também de correspondências. Esta infraestrutura é fundamental para a ocorrência dos períodos eurocêntricos conhecidos como “Renascimento”, “Revolução Científica” e “Iluminismo”.
A afluência dos textos clássicos – antes de circulação muito mais restrita – terá forte influência no pensamento da época nesta região do mundo, inclusive sobre as “formas” e a “informação”. Como como indica Peters (1988)72:
Inicialmente há uma continuidade nas noções medievais de que informação é um processo de dar forma a uma entidade material, porém gradualmente ocorre um afastamento e um rechaço das concepções escolásticas.
Mas também há uma grande mudança nos sentidos de informação, associados aos novos tempos que repelem a noção de um universo ordenado por formas:
No lugar de “almas” e “espíritos”, entram as “mentes”, “egos” e “cogitos”.
No lugar de uma ordem social divinamente instituída, surge um “imenso mas frágil” Leviatã, “arbitrário e inescapável”.
No lugar de “percepção direta”, são colocadas as “percepções” e “impressões” com seus potenciais equívocos e incertezas.
Com isso, a noção de que o universo estaria ordenado perdeu crédito, e o processo de in-formação cambiou de locus, passando da formação da matéria para a da mente. “Formas” metafísicas a serem compreendidas perdem o lugar para o empirismo da evidência dos sentidos, e para a necessidade de separar as “informações” que chegam aos sentidos entre verdadeiras e falsas.
Tanto o empirismo quanto o racionalismo trariam um novo sistema de explicações para a “mecânica da sensação”, no qual os sentidos são in-formados pelo mundo, numa transição de formas intelectuais para informações sensíveis, e com a consequente dificuldade de relacionar as sensações que chegam à mente com o que realmente existe e ocorre no mundo, trazendo um grande problema de como extrair conhecimento científico objetivo de sensações subjetivas e pouco confiáveis, agora sem o antigo amparo de “formas” universais que poderiam ser compreendidas pelo intelecto, mas somente com “ideias” do tipo cartesiano, presentes na mente, compostas ou influenciadas pelo sensório, e que precisariam passar pelo julgamento da “lógica” e pela “razão”. Propostas para solucionar esse dilema consistiram em filtrar pacientemente o fluxo sensório, suspender ou negar a possibilidade de qualquer ordenamento, ou então considerar que a própria mente teria estruturas (ou formas) que poderiam ser usadas para a organização sensorial. Esta última concepção, kantiana, poderia ser chamada de “exformação” (“outformation”), em contraste com a “in-formação” vinda de fora73:
[…] the empiricist problematic was how the mind is informed by sensations of the world. At first informed meant shaped by; later it came to mean received reports from. As its site of action drifted from cosmos to consciousness, the term’s sense shifted from unities […] to units […] information came to refer to the fragmentary, fluctuating, haphazard stuff of sense. Information, like the early modern world view more generally, shifted from a divinely ordered cosmos to a system governed by the motion of corpuscles. Under the tutelage of empiricism, information gradually moved from structure to stuff, from form to substance, from intellectual order to sensory impulses.
Este câmbio começa como uma continuidade da escolástica na acepção epistemológica: in-formação dos sentidos.
Mas vai divergindo a partir do momento que é questionada a garantia de que aquilo que in-forma os sentidos tem relação com a “realidade”. O conhecimento das “formas” universais transcendentais parece ficar relegado a um segundo plano frente a essa questão imediata: como obter conhecimento do mundo se não temos garantias naquilo que in-forma nossos sentidos? O processo de in-formação dos sentidos e da mente passou a ter mais relevância e ser mais questionado, a ponto da “informação” ganhar preponderância. Num prazo mais longo, essa mudança foi até além daquilo que era processo, e informação acabou gradualmente sendo substantivada, ou seja, ganhando substância, sendo algo em si própria: informação não somente mais como verbo, mas como coisa em si, mesmo que coisa imaterial.
“Forma” parece ter sido substantivada muito antes no passado, abstraindo contornos/desenhos/aparências. Informação, anteriormente um processo, foi sendo substantivada de acordo com o incremento da quantidade de mensagens74.
Neste momento, a relação entre informação e inteligência é dada pela capacidade de extrair conhecimento proveniente da atividade sensória, sendo assim capaz de informar a partir da inteligência. E valeria a recíproca, como o processo informacional em Descartes: dar instruções e ordens para que o corpo as cumpra como uma máquina75.
O termo informação parece se tornar mais relacional e menos engessado como processo unilateral de formação. A fonte “autoritativa” de “inteligência” deixa de ser um repositório metafísico de formas, se deslocando para formas fornecidas (in-formadas) pelos sentidos ou que existiriam a priori na mente. Esse termo também passa pouco a pouco a indicar um elemento ontológico atomizável, paulatinamente se aproximando da noção de mercadoria.
O problema da aquisição da obtenção de conhecimento confiável a partir de um processo in-formacional/sensorial atinge, analogamente, os emergentes Estados Nação dos séculos XVII a XXI.
Se os empiristas dão os primeiros passos para substantivar a informação, é com o surgimento da “Estadística”, mais conhecida como “Estatística”, que haverá o impulso adicional necessário para que a informação se torne uma entidade com dinâmica própria.
Enquanto o empirismo clássico preocupava-se com a informação na escala individual, alimentada por fluxos sensórios, em meados dos séculos dezoito e dezenove há um novo empirismo, em uma escala além da humana, ligada à necessidade de produção de informações para as burocracias dos emergentes e vastos Estados-Nação. Numa analogia antropomórfica, “o Estado se torna um conhecedor, a burocracia são seus sentidos, e a estatística é a sua informação”76:
[…] Any large-scale polity requires some kind of monitoring. […] But the scale and intensity of bureaucratic growth over the last two hundred years is quite unprecedented in human history. […] But how did the term migrate from empiricism to bureaucracy?
[…] In the eighteenth century, statistics […] was the name for the comparative […] study of states. […] The scale of the modern state presents its managers and citizens with a problem[…] they […] need facts. And so, statistics arose as the study of something too large to be perceptible […] Statistics, like newspapers, novels, and encyclopedias, have the aim of representing entities too large for […] individual’s senses[…] into something factual and manageable. […]
[…] Statistics offer a kind of gnosis, a mystic transcendence of individuality, a tasting of the forbidden fruit of knowledge. […] This new kind of knowledge […] is […] information. Information is knowledge with the human body taken out of it. […] Implicit in statistics is a kind of knower not subject to mortal limits. […] Statistical data (information) are of course gathered by mortals, but the pooling and analysis of them creates an implied-I that is disembodied and all-seeing. […] Computers do […] what the state already long was doing: they make vast invisible aggregates intelligible and manipulable. […] The computer existed as a practice before it existed as a machine (Mumford 1970, 273-5).
The computer is a child of the state. […] In the eighteenth century information might be used to mean “other men’s experience” (Littlebury 1737, vii), but now it refers to the possible experience of no body […] part of the explicit alienation of human scales and proportions and of the disappearance of death as a form of meaningful closure (Benjamin, 1968/1936). […] Stalin recognized this in his chillingly telling comment that one death is a tragedy, a million deaths a statistic. Information is a form of knowledge that rearranges the significance of everyday realities, sapping them of substance. As Norbert Wiener recognized (1948, 27), “the first industrial revolution, the revolution of the ’dark satanic mills,’ was the devaluation of the human arm by the competition of machinery…. The [second] industrial revolution is similarly bound to devalue the human brain, at least in its simpler and more routine functions […]
[…]
In sum, empiricism took the forms out of information, leaving it the chaotic “stuff’ of sensory experience. But it remained anchored in the human mind and senses. With state empiricism – statistics – the old scale of the human mind and body is shattered. Information accumulates at rates and in quantities that can be”processed” by no single person […] it becomes objectified, exterior, and alien to human senses. Information ironically comes to be synonymous with noise – that which cannot be processed at present In the context of the state information becomes a thing, a noun, a reified stuff separable from processes of informing.
Aqui, “inteligência” passa a designar o resultado da informação processada pela computação burocrática, pronta para ser “consumida” por gestores. É neste mesmo período que “atividades de inteligência” entendidas enquanto “agências de inteligência” e “serviços secretos” passam a ganhar mais sistemática e estrutura institucional, seja na diplomacia ou no meio militar. Suspeito que seja neste momento em que o termo “inteligência” passa a designar também o resultado da obtenção e processamento de “informações” pela espionagem – o que representa uma grande mudança de significado em relação à era anterior, quando inteligência estava mais relacionada com a compreensão das Formas transcendentais, inteligência esta que seria in-formada na matéria inerte através dos processos morfogenéticos. No tempo iluminista, informação já passa a ser uma entidade própria, pronta para a próxima etapa de desacoplamento entre informação e significado, quando informação passa a ser entendida de modo similar ao conceito de mercadoria: algo que se produz, se troca (transmite) etc.
6.3 Explodismo
Chega então o próximo período esquemático desta breve história: o Explodismo, Infoluminismo ou Hiperluminismo, caracterizado por uma intensificação da Iluminação da era anterior, chegando a um ponto excessivo e ofuscante da explosão informacional, tal como na fissão nuclear.
“Explodismo”, neologismo aqui cunhado – do latim explōdō77, nos sentidos de “ejetar”, “expelir”, bater palmas para retirar alguém do palco. Uma ejeção de informação, retirando a humanidade dos holofotes, e colocando em seu lugar a própria informação reproduzindo-se em escala assustadora.
Período no qual é concluída a desconexão e o desligamento entre a “informação” e qualquer significado, numa fratura conceitualmente problemática.
A informatização expandiu a escala de mercados e se imbricou com as cada vez mais vastas redes de transporte, associada também à padronização do tempo78. A telegrafia, e posteriormente o rádio e a televisão, assim como a produção em larga escala, reduzem o custo da cópia de mensagens, que se multiplam para tudo quanto é lado.
“Informação” passa a ser um termo apropriadamente utilizado para descrever toda essa massa de conteúdo comunicacional – incluindo aí a atualização sobre fatos, e ligada aos conceitos de notícia, anúncio e divulgação. –, virando uma abstração útil e tão poderosa que passou a ser considerada como uma coisa com existência própria e separada daquilo que ela in-forma, e sobre o quê ela in-forma, sendo recentemente alçada à uma categoria ontológica.
Já chega-se a falar em Hiperhistória79, quando a sociedade e seus indivíduos são ainda mais formados pela informação80:
as society […] moves into hyper-history (with society dependent on, and defined by, information and communication technologies) and the infosphere (an information environment distinguished by a seamless blend of online and offline information activity), individuals and societies are dependent on and formed by information in an unprecedented way, and information overload needs to be taken more seriously than ever.
Se o momento epistemológico ganha primeiro plano no conceito de informação na chamada modernidade81, diria que o conceito também ganha cada vez mais praticidade.
A informação descorporificada também pode ser associada a um autoritarismo que relega a matéria e os seres pensantes a uma categoria ontológica inferior.
Inteligência agora passa a ser associada a valores mais facilmente atribuíveis aos assim chamados computadores digitais e seus algoritmos (ou algoz-itmos): identificação e classificação de padrões, indexação e busca, compressão, etc.
Aparatos de comunicação mais rápidos, mais estáveis e que podem transmitir mais conteúdo permitem que mais informações sejam obtidas e acumuladas, assim como mais decisões possam ser tomadas e efetivadas num menor intervalo de tempo. Chegar primeiro, saber primeiro, vender primeiro, decidir primeiro, atirar primeiro: na dinâmica competitiva entre Estados e empresas fica cada vez mais importante ter à disposição dispositivos informacionais mais eficientes na velocidade e no volume. A “fidelidade” do aparato também é uma preocupação, sendo nesse caso a qualidade de um aparelho de garantir que a mensagem recebida é representativa, para não dizer idêntica, à mensagem enviada.
Esses problemas passam a ser o cerne da nascente engenharia de telecomunicações. Os artigos mais célebres são de Nyquist (1924) e Hartley (1928), culminando com um dos trabalhos mais influentes de todo o século XX e que estabelece uma teoria matemática para um entendimento restrito do que seria “informação”: o artigo de Shannon (1948). Neles, a questão da “informação” é reduzida apenas aos problemas da velocidade, do volume e da fidelidade na transmissão e recepção de mensagens. Culminando o processo iniciado no Iluminismo, a engenharia de telecomunicações retira da sua definição de “Informação” qualquer significado que uma mensagem possa ter para um intérprete humano: o que interessa para essa engenharia é apenas o problema de como ter aparatos de comunicação mais eficientes e fidedignos.
Ao invés de utilizarem um conceito mais específico para tratar desses problemas de transmissão e recepção – como por exemplo o termo “sinais” –, Shannon e seus dois principais predecessores insistem em usar o termo “Informação”. Parte disso pode ser explicado como uma confusão terminológica do começo de um novo campo de pesquisa, mas creio que em parte também tenha sido mais um sinal da continuidade do processo de abstrair mais e mais as relações de afetação, influência, concepção e entendimento entre seres na longa história da informação no chamado Ocidente.
Essa escolha terminológica foi mais do que um sequestro do conceito de “informação”: ela faz parte do próximo passo de separação em que Informação consta como uma categoria própria, independente de matéria, de inteligência e também de significados. Informação passa a se tornar uma categoria fundamental, primitiva, e que consequentemente não precisaria mais de uma definição ou explicação sobre sua existência, sobre o que ela é. “Informação é informação”, e o trabalho da engenharia de comunicações é melhorar sua transmissão, recepção e armazenamento.
Livre das contingências de qualquer significado, este novo conceito de Informação poderia então ser usado como representação de qualquer sentido, de qualquer conhecimento, bastando para isso codificá-lo numa mensagem. A ampla difusão do aparato técnico de comunicação acoplado com os processos de controle, decisão e, como não dizer, de espoliação também contribuiu para galvanizar o novo entendimento sobre Informação.
Tal manobra pragmática e semântica mudou profundamente a própria maneira de encarar o conhecimento, enfeitiçando toda a sociedade com o espectro desta Informação sem fronteiras82:
The catalyst for the contemporary discourse on information is undoubtedly the diffusion of “information theory” and its terms through the American academy after World War Two. Information theory developed as an outcome of the […] “information practice” of state bureaucracy. […] It gave scientists a fascinating account of information in terms of the old thermodynamic favorite, entropy, gave AT&T technical means for “shaving” frequencies and thus economizing by getting more calls on one line, and gave American culture a vocabulary well suited to its new status as world leader in military machinery. It was explicitly a theory of “signals” and not of “significance.” […] Indeed, the theory may have seemed so exciting because it showed how to make something already familiar through the bureaucratic institutions of everyday life into a lofty concept of science and technology. It offered an indirect way to transfigure bureaucracy, to give it a halo.
One consequence of the diffusion of information-theoretic ideas was the rewriting of the great chain of being in informational terms. On the smallest level, where the secrets of life are “coded, stored, and transmitted” we find Watson and Crick, the discoverers of the double helix, writing of DNA as a code containing “genetical information.” Neural synapses are switchboards and nerves are telephone lines […] and the messenger RNA proteins are dubbed “informosomes.” Moving up to physiology, one hears of hormones and enzymes as messages. The human brain is an “information-processer.” […] Finally, a few radio receivers vigilantly await some “information” from the outermost reaches of the universe, in the quest for extraterrestrial intelligence.
[…] Some have gone so far (Beniger 1986), to suggest that all intellectual inquiry into human affairs should redescribe itself in terms of a new trinity of concepts: information, communication, and control. Such schemes are the latest appearance of the dream of unified science that runs from Descartes to Carnap; information has been a stimulant to such dreams, just as geometry, evolution, thermodynamics, statistics, and mathematical physics have been in earlier days.
A exclusão o sentido do termo Informação na teoria de Shannon-Weaver, para que ela se tornasse a entidade universal de manipulação de mensagens, criou uma espécie de “armadilha semântica83. Esta seria seria mais uma teoria de”sinais” do que uma teoria dos “significantes”84, muito menos do que uma teoria da “Informação”.
Paradoxalmente, tanto em Shannon (1948) quanto posteriormente em Shannon e Weaver (1963), a definição de “Informação” é fraca e ambígua o suficiente para indicar – ou confundir – o conhecimento de uma mensagem recebida ou uma medida da quantidade efetiva de seleções de símbolos necessários para compor uma mensagem.
Ainda hoje tem sido muito difícil tentar compatibilizar essa definição estreita de Informação com muitos outros entendimentos e teorias da informação, especialmente aquelas onde o significado e outras dimensões da linguagem não são excluídos.
Na impossibilidade de uma Teoria Universal da Informação85, há uma toda uma galáxia de teorias e definições sobre a informação. A maioria delas é muito dependente dos nichos e contextos específicos onde ela é usada. A informação de Shannon-Weaver acabou tendo preponderância e influência nos usos mais comuns e coloquiais, tanto enquanto notícia, anúncio, atualização sobre fatos quanto na disponibilidade, processamento e comunicação em geral.
References
Vale ressaltar aqui que por “inteligência” estamos nos referindo à noção contemporânea. Ao menos neste momento não estamos fazendo um resgate genealógico-etimológico dos conceitos de inteligência.↩︎
Vale uma checagem adicional nos dicionários (etimológicos) sobre a situação verbal/adjetiva/substantiva dessas palavras ligadas à forma.↩︎
Checar por exemplo “Hyperhistory, the Emergence of the Mass, and the Design of Infraethics”, Floridi (2016a), Floridi (2016b); “The Fourth Revolution: How the infosphere is reshaping human reality”, Floridi (2014); “Floridi/Flusser: Parallel Lives in Hyper/Posthistory”, Galanos (2016).↩︎
Capurro e Hjørland (2003) pág. 368; Capurro (2022) págs. 31 e 213. Ver também sobre a teoria da ”Informação Semântica”, Bar-Hillel e Carnap (1953).↩︎