1 Apresentação

Versão 0.0.16 - 16/12/2025

O conceito prevalente de informação está à serviço da guerra e da destruição, produzindo indigência por aqueles que afirmam contribuir com a inteligência.

Como ouso pronunciar isso com tanta contundência, arriscando um disparate?

Meu interesse pelo assunto se consolida durante outro estudo, sobre cibernética, que me levou ao de informação. Me deparei com o aparentemente insondável conceito de “informação”, muito mal resolvido em qualquer texto que consultava. Percebi que precisava comprendê-lo melhor, e para isso fiz um mergulho tão fundo quanto pude. Queria entender melhor o que fundamentalmente seria essa tal de informação, um conceito talvez já tão naturalizado que usualmente nem se define ou se questiona.

Conforme seguia o rastro de referências, percebia o quanto as definições eram vagas e desencontradas. Um monte de teorias fortes assentadas sobre bases fracas. Achei muito estranho e curioso: algo deveria haver aí, não parecia mera displicência de uma ou outra autoria. Estava em todo lugar.

Aquilo que começou apenas como um estudo de apoio me revelou outros aspectos, desta vez atrozes, de uma espécie de tradição informática que parece fagocitar toda a ação, especialmente o pensamento.

Tenho estudado o tema, lentamente, ao longo de alguns anos. A urgência dos tempos e dos debates, assim como a violência em que a informatização tem sido imposta, me fez compilar este texto o mais rápido que pude, em co-autoria com o Erro, uma parceria involuntária que estimula outras contribuições.

Muita coisa ficou de fora, mas também muita ficou para dentro. Muitos rabiscos à margem. Excesso de citações. Techos não traduzidos. Cadência escalafobética. Minha tentativa de rigor talvez soe como pedante e provoque irritação. Muitas minúcias e argumentos podem soar desnecessários, mas preferi neste momento pecar pela abundância de conteúdo até achar a dose certa, o que soa irônico e sintomático num texto tratando dos excessos da Informação.

A primeira exposição pública sobre o tema ocorreu num debate do evento “Bifurcar: Tecnopolíticas da Retomada”1, causando muito desconforto.

Posteriormente expandidas, minhas anotações iniciais foram complementadas e publicadas nos meus Ensaios Vertiginosos2, porém o tamanho do texto mereceu um volume próprio.

Nos Ensaios agora consta apenas uma versão resumida3, e aqui está a “monografia” na íntegra, ainda em estado bruto, muito incompleta e longe do que eu gostaria, inclusive em termos literários: priorizei uma linguagem menos fluida e mais didática, porém ainda bem embolada.

Não posso garantir uma exposição informativa, daquelas que de modo rápido e indolor “agregariam” conteúdo útil, agradável e divertido, porém arrisco dizer que você não vai mais pensar sobre informação da mesma maneira após ler este texto.

1.1 Nota metodológica

Escrevi uma extensa nota metodológia no volume Um Método Arbóreo-Espiral4, onde detalho os procedimentos e os limites do meu trabalho de pesquisa e edição.

References

———. 2024b. “Informação: o Lixo da Indigência Artificial”. In Ensaios Vertiginosos, 0.0.1 ed. Publicações Vertiginosas. https://ensaios.fluxo.info/informacao.html.
———. 2025a. Ensaios Vertiginosos. Vol. 1. Publicações Vertiginosas. https://ensaios.fluxo.info.
———. 2025b. Um Método Arbóreo-Espiral. Vol. 0. Publicações Vertiginosas. https://metodo.fluxo.info.

  1. Atividade realizada na sede do Coletivo Intervozes, em São Paulo - Brasil, nos dias 8 e 9 de Dezembro de 2023 EC.↩︎

  2. Rhatto (2025a).↩︎

  3. Rhatto (2024b).↩︎

  4. Rhatto (2025b).↩︎